Cenários no cinema que fizeram toda diferença

Neste artigo, analisaremos como aspectos técnicos e criativos do cenário e da direção de arte podem elevar a experiência cinematográfica, enriquecendo não apenas a estética visual, mas também adicionando camadas de significado e subtexto ao enredo.

No cinema, o cenário desempenha um papel fundamental na construção da narrativa, proporcionando um contexto visual que não só situa os personagens em um ambiente específico, mas também comunica informações sobre suas personalidades, relações e emoções.

Da mesma forma, o design de interiores na vida real visa criar espaços que não só sejam estéticamente agradáveis, mas que também atendam às necessidades práticas e emocionais dos seus ocupantes.

Por isso, selecionamos 5 filmes para que possamos fazer essa comparação e aumentar ainda mais o seu repertório de inspirações. Sim, contém leves spoilers.

O Grande Hotel Budapest

Não podemos falar de cenário de filme sem lembrar de Wes Anderson (o diretor), que é referência quando se trata de cenários artísticos e coloridos.

Ele costuma usar enquadramentos de câmera sempre muito simétricos, a ”Regra dos Terços” e linhas diagonais, caprichando nas cores que ao mesmo tempo remetem à fantasia, assim como os personagens excêntricos interligados aos objetos do antigo hotel.

Curiosidades: a fachada do hotel foi toda feita em maquete. Além de vários prêmios e indicações, o filme ganhou o Oscar de Melhor Direção de Arte em 2015.

Parasita

Neste filme, para retratar uma crítica social que compara duas famílias de diferentes classes, o cenário das casas e interiores funciona perfeitamente como pano de fundo.

Do lado nobre da cidade, a família possui uma casa ampla, de formato minimalista, arejada, moderna, com muitas linhas retas, móveis amplos, iluminação projetada e amarela que criam um ambiente acolhedor na parte interna.

Muita luz natural durante o dia e um amplo e verde jardim. As escadas também remetem essa sensação de ”elevação”.

Do outro lado, a família pobre tem uma casa abaixo da linha do chão, a iluminação é muito mais escura e o teto mais baixo.

Os móveis são velhos e os ambientes apertados, passando um ar de sufocamento que definitivamente ajudam a contar a história desse contraste social.

Venceu o Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Filme Internacional em 2020, entre outros prêmios importantes.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Esse é para quem gosta de viajar, e principalmente se imaginar apaixonada andando e descobrindo as ruas de Paris.

Além de mostrar pontos turísticos da cidade, o charme dos cafés, as floriculturas, os pequenos apartamentos, o metrô, etc, o filme usa a coloração e a luz para deixar tudo ainda mais romântico e com ar bucólico, com enquadramentos que remetem à arte e a pintura, no estilo francês.

Barbie

Barbie de Greta Gerwing pode ser um pouco polêmico e não ter agradado a todos.

Mas vamos falar do cenário. Primeiramente, a cidade, que claro, é toda feita para o mundo da Barbie, com todos aqueles acessórios que só quem gostava da boneca vai lembrar e queria ter: os carros, as roupas, a cozinha…a lista é infinita.

Cores e efeitos: claro, uma overdose de rosa, com um brilho e tridimensionalidade que dão uma sensação de tátil, que dá vida aos brinquedos e ao plástico.

O contraste com a cidade da ”vida real” também é importante. E funciona perfeitamente com a virada de chave da personagem.

Assim como quando o Ken toma conta da cidade da Barbie, ele muda toda a decoração, com objetos mais ”masculinizados” e a dinâmica da casa para receber os amigos, com jogos e aparelhos de academia, por exemplo.

O que ajuda a contar a história dos conflitos entre Ken e Barbie e a descoberta de suas verdadeiras personalidades.

Good Bye Lenin (Adeus, Lenin!)

Talvez o menos conhecido da lista, o filme retrata uma família no período da Alemanha Oriental, no qual uma mãe sofre um infarto enquanto dedica-se à causa socialista, entrando em coma profundo.

Quando ela desperta, oito meses depois, em junho de 1990, seu filho tenta protegê-la de um segundo ataque cardíaco, escondendo-lhe fatos sobre a Queda do Muro de Berlim e o colapso do comunismo na Alemanha Oriental.

Para isso, ele recria todo o cenário de antes, mudando o mínimo possível os objetos de lugar, reaproveitando coisas que achava na rua, substituindo rótulos de comida e até criando um programa de notícias na tv.

O questionamento feito por muitos é de que Alex (personagem principal), talvez reflita uma ligação nostálgica ao passado, uma idealização, ou mesmo uma forma criativa de lidar com as transformações sociais.

Independentemente da resposta, podemos concluir sobre o poder que um cenário e os ambientes à nossa volta possuem, sejam eles reais ou fictícios.

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